Um cheiro de Jango no ar
Costuma-se dizer que um dos melhores atributos de um jornalista é o faro. Após 40 anos de profissão, o faro de Zuenir Ventura continua apurado, e nos últimos meses o que ele está sentindo é um cheiro de Jango no ar. O jornalista e escritor, que está lançando Um voluntário da pátria, da coleção Vozes do Golpe (Companhia das Letras, 4 volumes, 336 páginas, R$ 41), identifica insatisfação na sociedade, falta de comando no governo federal, desorganização e inoperância. Mas não acredita na possibilidade de uma ruptura institucional, e teme apenas que a decepção da população com Lula e a política leve ao crescimento de um messianismo de cunho religioso. Autor de 1968: o ano que não terminou, que se tornou uma obra de referência do período, Zuenir, em Um voluntário da pátria, retrocede mais quatro anos para falar de suas lembranças do dia 31 de março de 1964, quando era um jovem professor que ia para Brasília com o objetivo de lecionar na UnB, o modelo revolucionário de ensino superior desenvolvido por Darcy Ribeiro.
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