Sociedade dos malditos vivos
Algo de novo acontece quando um poeta “maldito”, como Glauco Mattoso, lança ao mesmo tempo três novos livros por editoras diferentes. Algo de novo acontece quando uma publicação como a Azougue completa dez anos e lança um caprichado catatau de capa dura, quase 500 páginas, reverenciando autores tão lado “B” como Orlando Parolini, que nunca conseguiu publicar sua obra incômoda. Algo de novo acontece quando aparece no fim do túnel, direto do Rio de Janeiro, uma editora como a Lamparina, que estréia com um livro como Elogio da Punheta & O Mistério da Pós-Doutora, de Sebastião Nunes, que abre com a afirmação: “A maior criação da humanidade, em todos os tempos, foi a punheta”.
É a isso que se refere o título “maldito” deste texto. Não existe nenhuma “sociedade” de “malditos” – e mesmo o termo, aqui grafado sempre entre aspas, é amplamente questionado, sem ter substitutos mais fortes.
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