O pop da Flip
A garota gritando furiosos “Pelo amor de Deus” por um autógrafo, o rapaz que chega tremendo para tirar um retrato ao lado de seu ídolo, palmas saindo de mais de mil mãos ao mesmo tempo. As cenas se repetiram muitas vezes nesta semana na cidadezinha de Parati. E não por causa de um festival de rock ou pelas gravações de uma novela das oito. Eram todos escritores os “Mick Jaggers” desse roteiro, os autores que participaram da Festa Literária Internacional de Parati, que terminou na noite de ontem. Em sua segunda edição, a Flip assistiu (e discutiu) o provável cruzamento mais forte já visto no país entre a literatura e três letras não muito associadas a ela, “pop”. O epicentro disso, é verdade, teve a mão da MPB. Com ela, Chico Buarque de Holanda fez anteontem a primeira sessão de autógrafos de livros de sua vida, deixando sua assinatura para 113 felizardos – frustrou outras centenas, que protagonizavam cenas “beatlemaníacas”, urrando, debatendo-se e cantando “A Banda”. Gritos e sussurros seguiram desde os pouquíssimos passos públicos de Caetano Veloso até as generosas aparições de Luis Fernando Verissimo. Este falou sobre o contato com a massa, durante palestra na tarde de sábado: “Sempre prefiro estar na platéia do que no palco”. O tímido confesso teve performance e aplausos de showman.
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