Páginas etílicas
Ponha a mão na consciência: você já tentou reservar para a literatura o mesmo tempo que dedica ao balcão do bar? Não? Pois saiba que, se o fizesse, encontraria endereços cativos da boemia carioca nas páginas dos livros. Seja em que gênero for, bar sempre foi e sempre será uma das grandes fontes de inspiração de escritores do mundo inteiro. E o Rio, pródigo em botecos e biroscas de todas as estirpes, com um pé-sujo em cada esquina, não ia ficar fora dessa. Como os parisienses La Coupole e Dôme, imortalizados em romances do casal 20 do existencialismo (Sartre e Simone de Beauvoir, bien sûr ), o carioquésimo Lamas é cenário privilegiado para autores como Sérgio Sant’Anna. No romance Um crime delicado, os espelhos que revestem as colunas do bar facilitam o relacionamento entre os personagens Inês e Antônio Martins. O livro vai virar filme do diretor Beto Brant até o fim deste ano. Mas a ação vai se mudar para… São Paulo!, fazendo com que o bar suma do mapa. Um crime nada delicado. O romance policial Achados e perdidos, de Luiz Alfredo Garcia-Roza, também vai virar filme, dirigido por José Joffily. As filmagens, em Copacabana, terminam em breve – com bares cariocas mantendo sua identidade carioca na telona. Melhor assim, pois o escritor não economiza botecos, lanchonetes e restaurantes em suas páginas.
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