Adeus, Gatsby e Teerã
Basta ler o maravilho livro Lendo Lolita em Teerã de Azar Nafisi (A Girafa, 504 pp., R$ 58) – professora de literatura inglesa que, do ponto de vista emocional, mental e intelectual, comeu o pão que o diabo amassou no Irã do Aiatolá Khomeini, assim como suas alunas e amigas mais chegadas – para perceber que tudo é possível nesta nossa terra de Deus e de Satã. Principalmente quando se trata de mulheres, e não de homens. Nascida numa família aristocrática, cujos valores eram o conhecimento e a literatura, Azar estudou na Inglaterra e na Suíça e só retornou a Teerã quando seu pai, prefeito da cidade, caiu em desgraça. A família não fora feita para a política e até celebrou a prisão do parente, para que ele aprendesse que estava no caminho errado. Após um ano de paralisia e estupor, a filha do ex-todo-poderoso prefeito decidiu ir para os EUA estudar. Lá, se casaria antes de completar 17 anos com um colega iraniano amante de Frank Sinatra, pragmático, sem imaginação, que não venerava os livros como Azar e seus parentes, ou seja, lá firmaria uma união impetuosa e impensada que logo desaguaria em divórcio. Após nova visita a Teerã, a divorciada Azar decide voltar aos EUA, disposta a estudar a fundo literatura. Amava Henry James, Jane Austen, George Eliott, as irmãs Brontë, Nabokov, Fitzgerald, Hemingway, além, é óbvio, dos autores de seu país, cujos escritos sabia de cor.
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