O anti-herói franquista
O escritor espanhol Javier Cercas, hoje com 42 anos e autor de seis romances, é um nome desconhecido no Brasil. Pelo menos até agora, quando a Editora Francis lança, dele, Soldados de Salamina (Francis, 241 pp., R$ 35), em tradução de Wagner Carelli. O livro vendeu meio milhão de exemplares somente na Espanha e vem fazendo grande sucesso na Europa. O que causa estranheza, logo no início deste romance enigmático, sem capítulos e dividido em três partes de longos parágrafos, é a ideologia política de seu herói, o fascista Rafael Sánchez Mazas, fundador da Falange. Partido de ultradireita reformista que apoiou a ditadura de Franco na Espanha, a Falange nasceu do caldeirão ideológico naquele país. Em uma Espanha, que no início do século XX ainda alimentava nostalgias dos tempos faustosos do Império, era inevitável o racha entre comunistas, socialistas, anarquistas e democratas liberais, de um lado, e o bloco conservador formado por nacionalistas, fascistas, Igreja, exército e latifundiários. Desse enfrentamento nasceriam a Guerra Civil Espanhola e um monstro político: o general Franco. O genocídio daí resultante chocou o mundo. Esse é o pano de fundo de Soldados de Salamina.
Leia Também
Gostou deste conteúdo?
Receba análises exclusivas como esta toda semana no seu email
Toda segunda e quinta


