Um novo cenário para o conto
O mercado editorial brasileiro vive hoje seu melhor momento econômico. Nunca se publicou tanto livro no país, nunca se consumiu tanta poesia, tanto conto, tanto romance como nos dias que correm. O problema é que, apesar dessa movimentação toda, o número de editoras brasileiras ainda é pequeno para o número de bons escritores na ativa. Elas simplesmente não dão conta da imensa oferta de originais que sem dúvida merecem estar nas livrarias. A questão fica mais séria quando notamos que infelizmente nem tudo o que sai das editoras tem valor literário. Basta uma rápida olhada nas listas de best-sellers para se perceber que a qualidade pouquíssimas vezes aparece de braços dados com o sucesso de vendas. Paciência. Essa é a realidade não só nacional, mas planetária. É a realidade da sociedade de consumo, da cultura de massas. Não é exagero dizer que a Antologia do conto brasiliense (Projecto Editorial, 368 pp., R$ 40), organizada por Ronaldo Cagiano, chega às livrarias do Sudeste carregada de intenções políticas. Principalmente porque traz, nas suas mais de 400 páginas, severas exigências aos leitores e editores do famigerado eixo Rio-Sampa. Estive na capital federal duas vezes, debatendo com os autores locais, e nas duas ocasiões a queixa geral foi que a boa literatura brasiliense vem sendo sistematicamente ignorada pelas grandes editoras nacionais, todas do Sudeste. Lembro-me que meu conselho meio cínico foi: “Em vez de ficarem reclamando, criem sua própria megaeditora, encontrem caminhos para escoar sua própria produção.” A antologia de Cagiano – publicada pela Projecto Editorial, a mesma casa que acaba de lançar a Antologia dos poetas de Brasília, organizada por Joanyr de Oliveira – de certo modo é a resposta à provocação.
Leia Também
Gostou deste conteúdo?
Receba análises exclusivas como esta toda semana no seu email
Toda segunda e quinta


