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O filme que deu origem à capa

20 de agosto de 2004
2 min de leitura
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Cada leitor de Iracema, um dos romances mais populares da literatura brasileira, já imaginou cada curva daquela linda índia tabajara, viu seu rosto, sentiu seus cabelos e, alguns mais ousados, até beijaram sua boca adocicada. Ou seja, viveram a plenitude desta obra e dividiram sua autoria com José de Alencar. Para alguns críticos, designers gráficos e autores, essa magia da literatura estaria ameaçada por uma imposição do mercado editorial: estampar a foto dos protagonistas na capa dos livros cujas histórias foram adaptadas para o cinema e a televisão. O tema é a tese de doutorado do professor Carlos Straccina, da Universidade Metodista de São Paulo, especialista em comunicação e um dos integrantes do grupo de estudos Livros e Outras Mídias. O objetivo de Straccina é levantar as conseqüências para a obra literária se, por exemplo, Iracema virasse minissérie de tevê e uma editora lançasse o livro substituindo aquele óleo sobre tela de Antônio Parreiras, que quase sempre ilustra o clássico de Alencar, pela foto de, digamos, Luana Piovani. “Do ponto de vista de vendas, é extremamente benéfico e não tem saída, mas para a obra de arte essa troca é discutível, por que limita muito ou induz a imaginação do leitor, que é fundamental para o escritor”, afirma Straccina. Os exemplos mais recentes comprovam a primeira parte da afirmação do professor. A Editora Objetiva republicou O Corredor da Morte, de Stephen King, com o mesmo título do filme, À Espera de um Milagre, e viu as vendas saltarem de 8 mil exemplares para 27 mil. No mercado editorial, o fenômeno virou rotina e será analisado em um seminário: “Transcodificação Midiática – Livros e Outras Mídias”, na Universidade Metodista, em São Bernardo do Campo, SP, no dia 25. “É praticamente impossível o livro se beneficiar da onda do filme se não tiver uma referência na capa ou até uma outra capa”, afirma o diretor da distribuidora Superpedido, José Henrique Grossi. Ele aconselha seus clientes-editores a adotarem, no mínimo, uma cinta (tarja) que informe o consumidor sobre o filme.

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