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Totem e tabu

21 de agosto de 2004
1 min de leitura

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Paulo Rodrigues estreou na literatura com mais de 50 anos, lançando em 2001 a novela À Margem da Linha. Surpreendentemente maduro para um autor iniciante, o livro transforma a história de dois irmãos que seguem uma estrada de ferro em busca do pai numa espécie de parábola: “Por mais que a gente ande, é sempre mesma danação”, diz uma das personagens dessa narrativa cuja linguagem trabalhada e solene faz da viagem uma peregrinação arquetípica às origens. Agora, Rodrigues lança uma coletânea de contos intitulada Redemoinho, conservando a mesma força estilística que já levou a comparações com a prosa de Raduan Nassar. Tais comparações podiam, a princípio, parecer precipitadas, mas agora se mostram mais do que pertinentes: assim como o romancista de Lavoura Arcaica (Cosac & Naify, 200 pp., R$ 25), Rodrigues ritualiza cada gesto de suas personagens, extraindo um sentido mítico das relações familiares, dos enlaces sexuais, dos impulsos elementares que pulsam com grande carga sensória nas descrições que o autor faz de suas criaturas.

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