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Políticos ainda vai, mas artistas?!?

30 de novembro de 2004
2 min de leitura
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O escritor, professor e ex-deputado federal Agassiz Almeida monta em A República das Elites (Bertrand Brasil, 546 pp., R$ 50), um poderoso painel onde, ao percorrer os mais de cinco séculos de história do Brasil, examina detalhadamente a controversa relação mantida entre as elites e os intelectuais. Segundo ele, as expressões artísticas e culturais presentes em nosso país sempre trabalharam – com raras exceções – a favor dos endinheirados. Para o autor, as elites negam a relevância e o talento do povo brasileiro. Em sua visão, ao repetir e disseminar bordões do tipo “o brasileiro é preguiçoso” e “só a polícia pode acabar com a marginalidade”, os formadores de opinião fixaram uma idéia que não poderia estar mais distante dos fatos. A República das Elites procura mostrar que os corruptos são os próprios poderosos, que compram dispendiosas mansões no exterior com o dinheiro roubado dos cofres públicos de um país em que uma enorme fatia da população é composta por miseráveis. Tal ideologia elitista remonta aos tempos da colonização portuguesa, quando a aristocracia assumiu o monopólio de extração do pau-brasil. No século XVI, grande parte das terras brasileiras já estava nas mãos de alguns poucos senhores de engenhos e barões do café que adoravam se vestir com tecidos importados. Fundamentando-se em pensadores como Marx e Marcuse, Agassiz explica que essa ideologia é cultivada por políticos e artistas – justamente aqueles que deveriam lutar contra ela.

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