O crítico dos deuses
Antes de morrer, o crítico de teatro inglês Kenneth Tynan (1927-1980) representou uma cena digna de David Lynch: no hospital, com um enfisema consumindo seus pulmões, ele alternou o balão de oxigênio com tragadas de um maldito cigarro. É possível imaginar Tynan contando os minutos que lhe restavam nos braços de Mickey Mouse, os ponteiros de seu inseparável relógio, enquanto brigava com a mulher Kathleen, que o traiu com Bertolucci e Warren Beatty. Kathleen queria tomar os diários do marido. Temia que a mídia entrasse na intimidade do casal e explorasse o sadismo do crítico, que gostava de espancar as amantes. No final, não só os diários, como as cartas e os perfis de personalidades que Tynan escreveu por encomenda de várias revistas, acabaram sendo publicados. São os últimos que o editor-executivo do Estado, Daniel Piza, selecionou para o audacioso Profiles, aqui traduzido como A Vida como Performance (Companhia das Letras, 368 pp., R$ 48).
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