A arte de surrupiar livros
Nascido numa família de agricultores no interior do Paraná, onde ler e escrever era considerado vadiagem, Miguel Sanches Neto é um caso atípico entre os autores brasileiros. Até os 12 anos, o crítico literário tinha em casa apenas uma Bíblia protestante. Agora, ao lançar Herdando uma biblioteca (Record, 144 pp., R$ 28,90), Miguel revela como conseguiu formar seu acervo, seja pegando dinheiro do padrasto ou surrupiando livros que nunca tinham sido lidos na biblioteca da escola. Em entrevista ao JB, Miguel critica as dificuldades que os governos impõe a quem deseja se tornar leitor no Brasil e defende a criação de bibliotecas públicas: “Sem uma política de bibliotecas públicas, nós continuaremos sendo o país do futebol, do carnaval, do tráfico e da pilantragem”. Os percalços por que passa quem cultiva o “exótico” prazer da leitura são o foco da polêmica conversa: “No Brasil só vale a pena ser político, bandido e pop star”.
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