Magia e mistérios da vida
Em 1585, Margarida Lourenço foi interrogada pelo Tribunal da Inquisição de Lisboa acusada de bruxaria por ter presenciado, em diversas ocasiões, assembléias de mulheres com demônios. A ré, cristã velha, natural da vila de Sarzedas e residente na vila de Tomar, solteira de 50 anos, apresentou aos inquisidores um relato detalhado das ditas reuniões noturnas. Para se transportarem ao local do apontamento com o Diabo, as mulheres lambuzavam o corpo com um ungüento que tinha o poder de transformá-las em “passarões grandes” e voavam rapidamente. O episódio apresentado é uma das inúmeras experiências mágicas que o historiador português Francisco Bethencourt recolheu e analisou em cerca de cem processos existentes nos arquivos dos Tribunais da Inquisição de Évora, Lisboa e Coimbra em O Imaginário da Magia: Feiticeiras, Adivinhos e Curandeiros em Portugal no Século XVI (376 pp., R$ 52) . Recentemente editado pela Companhia das Letras, o estudo de Bethencourt é referência obrigatória para os pesquisadores da história da cultura popular e representações do imaginário da época moderna em Portugal e no Brasil, desde que foi publicado em Lisboa, em 1987.
Leia Também
Gostou deste conteúdo?
Receba análises exclusivas como esta toda semana no seu email
Toda segunda e quinta

