Por uma outra Independência
Na opinião do historiador Evaldo Cabral de Mello, seria preciso repensar um determinado modelo vitorioso, narrado exclusivamente do ponto de vista da Corte do Rio de Janeiro de inícios do século 19. Isto é, tanto os publicistas que participaram do debate político à época da Independência, quanto os historiadores repisaram uma certa versão oficial, cujo objetivo era celebrar a glória da monarquia ou até mesmo da, assim chamada, unidade nacional. É contra esse tipo de postura finalista, na qual o Brasil aparece como um destino manifesto, que o autor tem se posicionado com freqüência, mostrando a importância de tomar a história brasileira a partir de outros contextos explicativos, como a Bahia e, sobretudo, Pernambuco. A crítica central é que, desde o século 19, aceitou-se muito facilmente as bases da ideologia Saquarema, do Segundo Reinado, que tendeu a depositar no período joanino os alicerces da ordem monárquica. Tal temática encontra-se espalhada pela obra do historiador como um todo, mas será retomada de maneira mais direta em seu último livro, A Outra Independência (Editora 34, 264 pp., R$ 25), que deixa de encarar a unidade nacional como um problema teleológico, ou um caso exemplar de predestinação. Como afirma o autor, “se a Revolução Portuguesa de 1820 fazia previsível a mudança do status quo colonial, não estava escrito nas estrelas que ela desembocaria no Império do Brasil”.
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