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19 de abril de 2005
2 min de leitura
050419_resposta

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Encadernado em papelão como se fosse uma caixa de correspondência, a obra Resposta (Ateliê Editorial, 96 pp., R$ 35) traz a prosa poética de Elisa Nazarian. A narrativa trata de um tipo de relação humana que interessa a todos: o amor. Desde as primeiras linhas, o narrador se localiza como mediador na relação do casal protagonista da novela. E a história se inicia com a fala dele: “Eu não estava indo, na verdade eu vinha voltando. Eu queria mesmo só mais tarde e você me aparece assim tão cedo. Eu, ressequido de ruim, e você me inunda de um assim tão bom”. Uma fala de dentro. Tão de dentro e despretensiosa que é quase um ensaio da vida, do mundo e do texto. Uma fala que poderia até ser comparada a Lóri e Ulisses de Clarice Lispector, em O Livro dos Prazeres. Esse esforço de Elisa para descobrir as vozes masculina e feminina dentro do discurso amoroso e para expô-las entre o exuberante e o precário cria um texto belo e movediço, que surge sobre momentos cotidianos, acontecimentos significativos e situações-limite. Resposta poderia ser apenas intransitivo, mas procura estabelecer com o leitor um compromisso de resposta, nem que seja interior, porque a autora fala em um tom de voz comum a todos.

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