Paisagens imaginárias na poesia de Sérgio Medeiros
A poesia de Alongamento (Ateliê Editorial, 132 pp., R$ 30), de Sérgio Medeiros, narra uma viagem por “paisagens imaginárias”, por cenários onde “o morro colide com a luz repleta de manchas escuras” e “as nuvens se embolam como panos sujos”, e sob esse céu pode-se ver “uma mesa redonda” se erguer “nas patas finas qual aranha”, um “holofote” espreitar “da folhagem alta: — (-) — olho grande de bigodes incandescentes” e “quatro cadeiras brancas (debruçadas numa mesa oval)” se transformarem em “cápsula lunar: na noite que esfria”. Este é o estranho cenário que nos oferece o livro de Medeiros. Trata-se de um mundo em mutação, onde seres inanimados se transformam em sinais não-identificados, em dinossauros, em discos-voadores, onde sereias se angustiam (sobre duas pernas, num cenário desértico) e onde a pré-história, as palmeiras românticas convivem harmoniosamente com máquinas, fuselagens, tubos de ensaio. Nestes textos experimentais, repletos de descrições e esboços narrativos, o leitor viaja, talvez, em busca do elo perdido entre a palavra e o olhar, um olhar míope que não pode alcançar o objeto senão trocando continuamente de lentes, que deformam, perdem e reencontram uma realidade multiforme.
Leia Também
Gostou deste conteúdo?
Receba análises exclusivas como esta toda semana no seu email
Toda segunda e quinta


