Narradores de guerras
O atentado terrorista que deixou vítimas na quinta-feira em Londres chocou os escritores convidados para 3.ª Festa Literária Internacional de Paraty e provocou lembranças terríveis em especialmente dois. O americano Jon Lee Anderson acompanhou todos os momentos que culminaram com a queda de Saddam Hussein na guerra do Iraque. A experiência resultou no livro A Queda de Bagdá (Objetiva, 408 pp., R$ 49,90). E o português Pedro Rosa Mendes presenciou a violência do conflito belicoso em Angola, confrontando com a morte quase que diariamente, relato que está no livro Baía dos Tigres (Sá Editora, 396 pp., R$ 39). Anderson chegou pela primeira vez ao Iraque em 2000, como correspondente da revista New Yorker. Despreocupado com a exigência de enviar notícias pontuais todos os dias, Anderson conseguiu a proeza de cobrir a guerra a partir do aspecto humano e não tático – enquanto os demais dividiam-se em ouvir o relato oficial do exército americano, Anderson saía às ruas, ouvindo histórias da população. Situação semelhante viveu Pedro Rosa Mendes, que chegou a Angola como correspondente do jornal português O Público. Assim como Anderson, Mendes descobriu personagens extraordinários. “O que mais me impressionou foram os habitantes de pequenas vilas que estavam no limite da vida, descobrindo formas de tentar recuperar uma rotina.”
Leia Também
Gostou deste conteúdo?
Receba análises exclusivas como esta toda semana no seu email
Toda segunda e quinta


