Cidade das palavras
Carlos Nejar é reconhecido autor gaúcho, imortal da Academia Brasileira de Letras e tradutor de Pablo Neruda e Jorge Luís Borges. Não é pouco. Há ainda o fato de ter publicado desde livros infanto-juvenis até ensaios literários. Mas o próprio escritor se apresenta “romancista porque é poeta”: a poesia é a peça de resistência de Nejar, e seu novo romance, O poço dos milagres (Bertrand, 336 pp., R$ 43), é uma comprovação de que sua linguagem, mesmo em prosa, se baseia na figura poética. Essa linguagem, rica em metáforas e frases curtas, cria uma atmosfera que respira além do plano do real. O fantástico – ainda que disfarçado em maravilhoso – recupera seu lugar na ficção através desse livro, onde a narrativa desfaz os limites entre o cotidiano de um lugarejo e as aspirações extraordinárias de seus habitantes.
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