Lembranças de Cuba
Em À espera da neve em Havana (Globo, 496 pp., R$ 58, trad. Cássio de Arantes Leite), Carlos Eire busca a voz de sua infância para detalhar a vida idílica e peculiar que levou até que a revolução tomasse corpo e, após a tomada do poder por Fidel Castro. O cuidado nas brincadeiras e com as palavras para não despertar a ira dos milicianos, as balas de revólver usadas como brinquedo, elementos estranhos que vieram a conviver com o mar turquesa e o céu cor de tangerina de Cuba. Aos 11 anos, Carlos Eire deixou sua infância de garoto de família abastada em Havana para voar, juntamente com o irmão Tony, para os Estados Unidos. Boatos davam conta de que os revolucionários iriam reunir as crianças de Cuba em centros de treinamento. Tal fato já havia ocorrido na Espanha levou seus pais a enviarem os filhos para o exílio desacompanhados, por meio da Operação Pedro Pan – que tirou 14 mil crianças de Cuba -, mesmo sabendo que talvez não pudessem encontrá-los novamente. Eire permaneceu em orfanatos e lares adotivos por dois anos, até que se reuniu novamente com a mãe, em Chicago. O pai jamais veria os filhos novamente. Ganhador do Nacional Book Awards de 2003 na categoria não-ficção, À espera da neve em Havana pode ser confundido com realismo mágico por trazer cores fortes e situações inusitadas, quase impossíveis.
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