O papel do setor produtivo na redução da pobreza
Se os “donos do capital” descritos em Empreendedores & Pioneiros, de Jacques Marcovitch, ajudaram a construir o capitalismo no século passado, a obra Investimento Privado e Desenvolvimento: Balanço Desafios (Senac Rio, 135 pp., R$ 32), de Marta Porto, André Urani e Mônica de Roure, propõe que, no novo milênio, os empresários devam atuar não apenas em operações que gerem lucro, mas também na redução da pobreza. No primeiro capítulo do livro, um diagnóstico das causas e conseqüências do desequilíbrio social é apresentado, mostrando que o Brasil é gigante também na desigualdade. A renda per capita familiar dos pobres no país, por exemplo, é de R$ 196; 1/3 dos brasileiros vive aquém das condições básicas de vida, e 63 milhões da população nacional é indigente. Esse cenário ocorre apesar dos gastos de R$ 200 bilhões em programas sociais e dos recursos de R$ 3,5 bilhões na área social de 1999 a 2001, apenas na Região Sudeste. Na visão da organizadora do livro, Marta Porto, muitos tomadores de decisão do setor empresarial têm a clara visão de que o Brasil do futuro exige uma política de co-responsabilidade social. No entanto, é preciso que haja mecanismos mais efetivos para que esse processo ocorra de forma eficaz. Há muitas dúvidas a serem esclarecidas, os próprios organizadores admitem. Por outro lado, há uma orientação em todos os textos do livro, que pode ser traduzida no trecho a seguir. “O papel que cabe ao setor privado não se limita a realizar os investimentos necessários à retomada do crescimento econômico e a ser socialmente responsável. Há um amplo espaço para que o setor privado, sem se desviar de sua vocação primeira de buscar lucro, atue no combate à causas da desigualdade de renda e , portanto, da pobreza.”
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