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Maratona quixotesca ganha o público

28 de julho de 2005
2 min de leitura

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A assimetria narrativa deu o tom à maratona quixotesca montada desde terça-feira no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro. Enquanto uns buscaram o caminho da interpretação dos personagens durante a leitura, outros levaram Dom Quixote ao público sem misturar elementos teatrais. Houve até quem imprimisse à obra de Cervantes o tom de sátira política. Até domingo, 138 pessoas terão lido as mais de 1.400 páginas de um dos livros mais importantes da literatura mundial. Mesmo irregulares, as leituras feitas por anônimos e por conhecidos como Nélida Piñon e Ferreira Gullar deram um compasso harmonioso ao ciclo de leituras organizado pelo Instituto Cervantes para comemorar o quarto centenário de Dom Quixote de La Mancha. Alguns “leitores”, como o ator Sérgio Britto e a atriz Cássia Kiss, tiraram da platéia — que no fim da primeira noite chegava a ocupar quase todos os assentos do Teatro I do CCBB — aplausos entusiasmados. Na tarde de terça, o cartunista Chico Caruso chamou a atenção do público com uma leitura política do romance. Antes de ler, fez uma breve introdução dizendo que o capítulo que leria, o XVII, tinha tudo a ver com o momento histórico vivido pelo Brasil. Deu ao fiel escudeiro o nome de Sancho Pança Lula da Silva e ao seu amo o de Dom Quixote Henrique Cardoso. Nas falas de cada um dos personagens, imitou a voz dos dois políticos. A platéia reagiu com risadas e mais aplausos.

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