Publicidade
Voltar CLIPPING

Bueno desarma expectativas morais

30 de julho de 2005
2 min de leitura

Publicidade
Publicidade

O escritor Wilson Bueno tem uma versatilidade com a linguagem que o faz mergulhar nos manejos e traquejos do estilo do século 19, mixar uma língua entre o português, o espanhol e o guarani, como ainda dar estilo – e graça – aos bichos de um engenhoso fabulário. Depois de lançar, ainda no ano passado, o romance Amar-te a Ti nem Sei se com Carícias, numa linguagem passadista e crítica, o escritor e poeta abre o bico dos bichos em Cachorros do Céu (Planeta, 96 pp., R$ 27), com ilustrações de Ulysses Bôscolo. Antes, porém, de comentar o novo livro, é preciso dizer que não é a primeira vez que Bueno busca no reino da bicharada seus personagens. Em 1991, ele lançou o livro Manual de Zoofilia. Depois, em 1999, saiu Jardim Zoológico. Seguindo velha tradição literária e popular, Bueno dá voz aos animais para poder abordar “a nossa quase sempre insensata vida dita humana”, como ele mesmo comentou numa entrevista ao jornalista Marcelo Pen. Dizer que é o homem e a maneira como ele vive hoje que estão na mira deste exímio caçador, cuja arma é uma linguagem afinadíssima, seria bastante redutor e tornaria suas 23 fábulas menos interessantes. É importante dizer que elas não têm nada do puxão de orelha moralista de um La Fontaine, por exemplo. Em Bueno, o desejo é sacudir o leitor e desarmar as expectativas moralizantes.

Compartilhar:

Leia Também

Gostou deste conteúdo?

Receba análises exclusivas como esta toda semana no seu email

Toda segunda e quinta
Publicidade