Fome de poesia
Três de nossos mais expressivos poetas jovens guardam em comum o fato de terem nomes incomuns: Andityas Soares de Moura, Iacyr Anderson de Freitas e Fabrício Carpinejar. E os três são possuidores de uma cultura incomum: são doutores, professores, lingüistas e já autores de uma boa quantidade de livros, com repercussão aqui e em outros países. Andityas talvez seja o que se envolva mais densamente num clima de erudição, já que, além de ser professor universitário e mestre em filosofia do direito pela UFMG, trata os poetas provençais com a intimidade de vizinhos pobres, e escreve em galego com a mesma facilidade com que fala mineiro. Agora, ainda pela Crisálida, de Belo Horizonte, vem dizer a que veio com seu (ou sua) Fomeforte, que, além de seus poemas originais, inclui duas ou três traduções rigorosas, como o expressivo Prece-poema para o soldado americano, de Juan Grecco y Morales, escrito em sefardita. O poema A moura, que aparece como sendo traduzido do místico sufi Ibn Al-Darmin, é de tão perfeita realização, pelo ritmo de dança gitana, pela escolha rigorosa das palavras, pelo seu envolvimento sensorial, que dificilmente poderia ter sido concebido em outra língua senão a do próprio Andityas. Fomeforte é um forte candidato a futuros prêmios literários.
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