Romance relata histórias de abortos envolvendo padres
Uma jovem estudante de medicina envolve-se com um padre e vai descortinando o submundo da Igreja Católica: amores, abortos e abandonos praticados sob os olhos do clero romano. Esse é o fio que conduz o romance A Hora do Ângelus (Maza Edições, 135 pp., R$ 20), da médica Fátima de Oliveira, 53, secretária-executiva da Rede Feminista de Saúde, que será lançado amanhã em Brasília e que promete fazer um grande barulho nos meios eclesiásticos. A obra acompanha três décadas da vida de uma mulher, da adolescência à maturidade, e discorre sobre as aventuras amorosas e sexuais que ela viveu com três sacerdotes católicos, sempre na clandestinidade. Não faltam conflitos e sentimentos ambíguos. A narrativa é na primeira pessoa, mas não se trata de um relato autobiográfico, insiste a autora. Fátima figura entre as 50 mulheres brasileiras indicadas para o Nobel da Paz de 2005, ao lado de personalidades como Zilda Arns, conselheira titular da CNBB no Conselho Nacional de Saúde. As duas, porém, atuam em movimentos bem distintos. Amanhã, dia 3, durante o lançamento do livro em Brasília, no Café Martinica, ocorre também um ato pela liberdade de cátedra, motivado pela demissão da professora Regina Soares Jurkewicz, após lançar uma pesquisa em que denuncia o abuso sexual praticado por padres. A pesquisa concluiu que a Igreja Católica brasileira encobre os crimes sexuais cometidos por padres contra mulheres, protege os agressores e silencia as vítimas.
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