A dor da loucura como leitura do mundo atual
Historiadora, a mexicana Cristina Rivera Garza tornou-se célebre ao criar uma ficção em que histórias humanas se entrelaçam com uma estrutura social injusta. É o caso, por exemplo, de Ninguém me Verá Chorar (264 pp., R$ 35), lançado agora pela editora Francis e que já despertou elogios potentes – Carlos Fuentes, por exemplo, aponta a obra como uma das mais notáveis escritas em castelhano. De fato, não se trata de excesso de adjetivos – o livro conta a história de Joaquín Buitrago, ex-fotógrafo de prostitutas e retratista de um sanatório nos anos 1920, que acredita ter identificado em uma de suas pacientes uma prostituta que ele encontrara anos antes em um dos prostíbulos da capital mexicana. A ação se passa em um país convulsionado por revoluções, no qual o novo e o velho lutam por seu espaço. Ambiente necessário para Cristina exercitar seu talento na linguagem.
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