Direto ao ponto
Quando tratei aqui neste espaço de um livro sobre santos, minha tia-avó, dona Beloni, ora com 87 anos, mas assumidos e admitidos apenas 69, telefonou cedinho naquele dia. Ela recebe o JB antes das seis: “Tá te metendo com o que tu não entendes, guri!”. Voltei ao sono. Semanas mais tarde, foi a vez de um livro sobre um crime ocorrido no Vaticano, e tia Beloni foi implacável: “De novo, guri, quem é tu pra botar sexo na religião ou religião no sexo?!”. Minha tia nem precisou se esforçar e logo me convenceu de que não entendo nada de sexo. Então fui ler com atenção digna do mais aplicado dos aprendizes o livro ABC do sexo (editora Seoman), da conhecida, pelo menos dos que têm TV a cabo, Sue Johanson. E, decidido a não atiçar a ira de minha tia, deixei-a de sobreaviso: “Nunca é tarde, meu filho, nunca é tarde para admitirmos e só assim consertarmos nossas falhas”. Livros como o ABC do sexo, aqui no país dos sabichões, correm sérios riscos. Apesar de sua indiscutível utilidade e seu didatismo, livre de alegorias e de vulgaridades quer nos temas abordados quer na linguagem empregada, também conseguem estampar em certas faces aquele sorriso “idiota” de colegial assistindo à sua primeira aula de reprodução humana. Quem está acostumado com a naturalidade de Sue na TV não encontrará no livro a menor diferença. A tranqüilidade e o conhecimento de causa da velhinha aparecem com nitidez e precisão, apesar de alguns temas denunciarem malícia e ardil por parte do indagador. O que não torna as questões menos importantes.
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