Garcia-Roza volta a Copa ao lado da taxista Berenice
Há exatamente dois anos, Luiz Alfredo Garcia-Roza anunciava férias para o protagonista de toda a sua ficção até então, o delegado Espinosa. E já antecipava, misteriosamente como convinha, que a trama se passaria nos subterrâneos de Copacabana. Não era pista falsa: na última semana de novembro, chegou às livrarias Berenice procura (Companhia das Letras, 184 pp., R$ 29) — sem Espinosa e com boa parte da ação se passando em galerias do metrô e redes de esgoto da Princesinha do Mar. O protagonista mudou — e já se pode apostar que a taxista Berenice terá nova chance — mas a literatura light noir de Garcia-Roza mantém o seu alto poder de compulsão: que nem biscoito Bis, quando damos conta, já se devorou tudo. Em Berenice procura — o título se refere à busca, pela taxista, de um responsável pelo assassinato de um travesti nas areias de Copacabana — o grande achado de Garcia-Roza é, sem dúvida, fazer do bairro invisível, aquele que fica alguns palmos abaixo das ruas, seu cenário principal. Como ninguém nunca tinha pensado nisso?
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