Um novo palco iluminado para Orestes Barbosa
Não é pouca coisa inventar uma cidade. Muito menos uma cidade como o Rio de Janeiro. Segundo Millôr Fernandes, o Rio foi, de certa maneira, “uma invenção de Nássara, Orestes e Noel”. Com o lançamento, na próxima quarta-feira, de Orestes Barbosa – Repórter, Cronista e Poeta (Agir, 685 pp.), de um dos biógrafos de Noel, Carlos Didier, a história dos “inventores” do Rio estará completa. Na cada vez mais rarefeita memória popular, Orestes figura como o autor de um clássico da canção brasileira, Chão de Estrelas – e mais nada. Muita gente desconhece que apenas a letra de Chão de Estrelas era dele – o que, no entanto, já bastaria para consagrá-lo para todo o sempre. Musicada e gravada, em 1937, por Silvio Caldas, foi mesmo sua obra-prima e motivo de inveja de todos os poetas da época. São os mais belos versos da nossa língua, proclamou Manuel Bandeira, pensando sobretudo no “tu pisavas nos astros distraída”, achado poético para o qual até os concretistas tiraram a cartola.
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