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Lira afinada e atuante

23 de dezembro de 2005
2 min de leitura

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Em versinhos de cordel, Antônio Klévisson Viana escreveu a biografia de Leandro Gomes de Barros (1865-1918), o pioneiro na publicação de folhetos rimados no Brasil, um sujeito baixinho, de bigodão espesso e cabeça redonda, de riso fácil e dono de uma fala cantada, com mais pinta de fazendeiro do que de poeta. Em comemoração aos 140 anos de nascimento do romancista, a editora Tupynanquim lançou este ano Leandro Gomes de Barros – 140 anos (R$ 30, pedidos: [email protected]), uma caixa contendo doze de seus livretos em uma edição especial para colecionador com tiragem de 500 exemplares. Além desta homenagem ao poeta, o cordel ainda é lembrado em duas mostras, uma em São Paulo e outra na França. Ambas têm como fio condutor J. Borges, outro mestre cordelista e um discípulo de Barros, como ele mesmo gosta de ressaltar. Autor de 1004 títulos reproduzidos em centenas de tiragens, Barros é considerado o principal ícone da literatura de cordel por colegas poetas, críticos e estudiosos do gênero. De Carlos Drummond de Andrade, em um artigo publicado no “Jornal do Brasil”, em 1976, recebeu, por exemplo, o título de “rei dos poetas do sertão”. Mesmo com o sucesso que obteve em vida, o autor acabou quase que esquecido depois da morte pois, em 1921, sua viúva vendeu os direitos autorais de sua obra a João Martins de Ataíde, que passou a publicar os folhetos omitindo nas capas o nome do autor e alterando o acróstico na estrofe final de muitos folhetos. Mesmo assim, Barros é um dos autores do gênero mais citados na Internet. Para Viana, “ele virou clássico e referência para quem gosta de cordel”.

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