Dona poesia
Ela não só é a Dona doida, que dá título a um de seus poemas e, que inspirou o interlúdio encenado por Fernanda Montenegro sob direção de Naum Alves de Souza, desde 1985 e por todo o país: a mineira Adélia Prado, 70 anos completados no último dia 13, é também a dona da poesia com lugar cativo no coração dos leitores. E, sem dúvida, uma das mais queridas e conhecidas poetas brasileiras, principalmente depois que a diva do teatro popularizou a obra da autora nos palcos do país. Nascida, batizada e casada (com José Freitas com quem tem cinco filhos), em sua querida Divinópolis, ela mantém sua rede de raízes fincadas no Centro-oeste de Minas Gerais, como as bungavílias cor-de-leite (cantada por ela em versos), que florescem nos jardins mineiros. Quase 30 anos após o lançamento de Bagagem, o primeiro livro de poesias, em 1976, (o seguinte, O coração disparado, de 1978, ganhou o Prêmio Jabuti), Adélia lança, o pequenino romance de 77 páginas, Quero minha mãe (Record). Com linguagem forte, ao mesmo tempo bela e poética, ela narra, através de fragmentos da memória da protagonista, o drama de Olímpia que, aos 60 anos, intui a presença da doença e a chegada da morte.
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