Picasso dos Sertões
O universo do cordel é o mote de duas mostras que ocorrem neste momento. O fio condutor de ambas é o trabalho do cordelista e gravador J. Borges. “A Arte de J. Borges – do Cordel à Xilogravura”, está em cartaz em São Paulo, no Sesc Santana, e “O Universo da Literatura de Cordel”, é uma exposição itinerante que passou por Paris, Marseille, Toulon, Poitiers e que retorna à capital francesa, na Maison do Brésil, dia 6 de janeiro. J. Borges surge na cena do cordel em 1956, aos 29 anos, disposto a dedicar sua vida à arte dos romances populares. A mostra em Paris ocorre em decorrência do Ano do Brasil na França e traz uma visão panorâmica de temas regionais, tomando como ponto de partida a arte popular nordestina. Tanto na mostra de São Paulo como na da França, o autor foi convidado a dar palestras e a ministrar aulas de cordel e de xilogravura. Andrea Lago, curadora do evento na França, diz que um dos enfoques da exposição é aproximar o arquétipo nordestino ao europeu. “Procuramos fazer uma comparação entre a arte popular brasileira e a litérature de colportage, uma expressão da cultura medieval do país, que contém traços facilmente identificáveis ao cordel, com personagens e histórias de cavalaria, encabeçadas por Carlos Magno em suas andanças”, diz a curadora. A curadoria do evento do Sesc Santana, por sua vez, procurou homenagear os 70 anos do autor ao mesmo tempo em que procura refletir sobre a atualissíma campanha de preservação do patrimônio imaterial da humanidade.
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