O Jegue-livro
Era uma vez numa terra distante um jegue. Um jegue comum, como estes tantos que existem Brasil afora. Um jegue que durante a semana é ainda, nestes tempos tão modernos, um instrumento de trabalho de pequenos lavradores. Um jegue que trabalha de sol a sol, no calor do sertão maranhense, para auxiliar o seu Narciso na roça. Mas este bicho tem uma missão um pouco diferente daquela destinada aos outros de sua espécie. Uma vez por mês, ele se transforma numa estrela, seguido pelas ruas como um astro de futebol em tempos de Copa do Mundo. Neste dia, ele se enfeita, veste cestos carregados de livros e incorpora seu personagem herói: o Jegue-livro. Devidamente paramentado, o simpático jumento está pronto para sair pelas ruas da pequena comunidade de Auzilândia, no interior do Maranhão, atraindo uma pequena multidão de crianças e adultos que sabem: é hora de ler. O jegue, na verdade são alguns jegues – seguem seu caminho, chamando a atenção da comunidade, puxados por adolescentes da região que fazem parte do projeto Jovens Leitores. Tudo começou há um ano e dois meses, quando ele se envolveu com o projeto Jovens Leitores. A Fundação Vale do Rio Doce, braço social da Companhia Vale do Rio Doce, promove na região o programa “Escola que Vale”, que tem por objetivo a capacitação de professores. O projeto foi tão bem-sucedido que surgiu a idéia de expandir esse plano de incentivo à leitura para fora dos muros da escola. A proposta era formar uma biblioteca ambulante e foi então que surgiu a inesperada idéia: por que não usar o jegue? A empatia foi imediata, e o sucesso tamanho que até cartas o Jegue-livro já recebeu.
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