Memória do exílio
O escritor Mourid Barghouti vivia em Deir-Ghassana, vilarejo próximo à cidade palestina de Ramallah, quando, em 1967, a ocupação israelense obrigou-o a iniciar um penoso período de exílio. Penoso e quase interminável – somente em 1996, Barghouti (hoje renomado poeta) conseguiu autorização para voltar à Palestina. O momento foi marcado por intensa emoção, mas ele se surpreendeu ao encontrar uma cidade completamente desconhecida, que não exibia mais os vestígios que marcaram sua adolescência. O impacto inspirou Barghouti a escrever sua única obra de prosa, Eu Vi Ramallah (208 pp., R$ 35), recentemente lançada pela editora Casa da Palavra. Isento de fundamentalismos, o livro trata de uma realidade não muito distante de grande parte da população mundial – o conflito milenar no Oriente Médio, envolvendo sobretudo o Estado judeu e a Nação palestina. “O texto de Barghouti é entrelaçado por problemas relacionados a onde ele pode ou não ficar, a onde ele pode ou não ir, por quanto tempo e em quais circunstâncias ele deve sair de onde está e o que, principalmente, ocorre quando ele não está em certo lugar”, escreve, no prefácio, Edward W. Said, especialista em estudos árabes.
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