Flip
Este ano, a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) está marcada, mais do que as outras três edições anteriores, pelo pano de fundo político. A tendência despontou forte no ano passado – com o sucesso de alguns debates, como o que provocou lágrimas no rapper MV Bill e vaias e aplausos ao cronista Arnaldo Jabor – mas desta vez a festa, que desde 2003 trouxe ao Brasil alguns dos mais significativos autores contemporâneos, vai respirar política em boa parte das suas 18 mesas. Não a que se relaciona a Brasília, sanguessugas ou disputas eleitorais, mas a política em amplo sentido, presente na obra de uma escritora como a Nobel americana Toni Morrison, que aborda em livros como “Beloved” a pesada herança da escravidão. Morrison, a primeira Nobel a participar da Flip, é uma das estrelas do evento deste ano, entre 9 e 13 de agosto, cujos ingressos começarão a ser vendidos no próximo dia 12 (e não dia 5, como inicialmente a organização anunciou). Além dela, a lista dos que podem esquentar o debate político em Paraty inclui o poeta palestino Mourid Barghouti, militante da causa de seu povo – embora sua obra poética nada tenha de panfletária –, o poeta performático Benjamin Zephaniah, rastafari britânico também DJ, rapper e ativista; o romancista paquistanês Tariq Ali, editor da “New Left Review”; o iconoclasta jornalista Christopher Hitchens, britânico radicado nos EUA, que já foi de esquerda mas apoiou a invasão do Iraque em 2003 e dividirá mesa na Flip com o deputado Fernando Gabeira. “A programação insinua o debate político, inclusive na homenagem a Jorge Amado, que tem uma história política forte”, reconhece Ruth Lanna, responsável pela programação.
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