As faces de Beckett
Samuel Beckett foi o menos sociável, o mais secreto e avesso à publicidade dos grandes autores do século XX. Sua carreira sempre foi considerada um enigma no mundo das letras mesmo entre estudiosos que procuram relacionar sua vida a sua obra. No momento em que conhece o sucesso com Esperando Godot, peça de 1949, pouco se falava do autor e poucos conheciam suas obras anteriores, que se encontravam fora dos catálogos das editoras. Mesmo hoje, 100 anos após o nascimento do mítico escritor, pouca gente sabe quais são seus livros e em que língua ele os escreveu. Poucos críticos leram seu primeiro ensaio sobre Proust, escrito em 1931, no qual Beckett afirma que o mundo nada mais é do que um incessante purgatório – um texto com lamentações que apareceriam na voz de personagens como Molly ou Malone. Além disso, poucos fãs têm conhecimento de sua primeira ficção, uma coletânea de novelas intitulada More Pricks Than Kicks, de 1934, sem tradução no Brasil. Para comemorar o centenário de nascimento no autor, o festival “Beckett 100 Anos”, que ocorre entre os dias 10 e 28 no Centro Cultural Telemar, reúne artistas e acadêmicos para discutir, encenar, lembrar e celebrar seu trabalho, considerado um divisor de águas do teatro e da literatura ocidentais.
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