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Proselitismo da fornicação

20 de agosto de 2006
2 min de leitura

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Em seus brilhantes e controversos romances anteriores, Plataforma [Record] e As Partículas Elementares [Sulina], o escritor francês Michel Houellebecq conduziu a sabedoria na direção mais inversa possível à de Céfalo – idoso e respeitável ateniense, que faz a Sócrates e Glauco, na República, de Platão, um discurso sobre a sabedoria e a serenidade dos homens velhos, libertos das paixões arrebatadoras. Perto do fim de seu novo romance, alternadamente cativante e cansativo, A Possibilidade de uma Ilha(Record, 480 pp., R$ 49,90, trad. André Telles), o narrador de Houellebecq – um comediante de meia-idade que se transformou em produtor de cinema, chamado Daniel – faz a confissão definitiva. “O prazer sexual não era somente superior, em refinamento e violência, a todos os outros prazeres que a vida tinha a oferecer”. Era “na verdade o único prazer, o único objetivo da existência humana, e todos os outros, sejam associados à comida, ao tabaco, ao álcool ou às drogas, eram apenas compensações irrisórias e desesperadas, minissuicídios que não ousavam dizer seu nome”. Nas páginas seguintes, Daniel desiste da vida de minissuicídios e comete o verdadeiro. Um romance francês sem sua cota de crueldade e erotismo é como uma torrada sem manteiga e geléia. É claro que Daniel é simplesmente o clichê francês, um homem que confunde sua própria vaidade sexual com a condição humana. Mas é um clichê enormemente interessante.

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