Filósofa Viviane Mosé lava as palavras
A poesia não é a própria vida, porém a vida em choque com a vida dos outros. Sua ausência devolvida na ausência próxima. O alheamento é intimidade; a observação, residência. Sabe disso muito bem a filósofa e psicanalista Viviane Mosé, natural do Espírito Santo e radicada no Rio de Janeiro, que se tornou popular após apresentar o quadro Ser ou não Ser, do Fantástico (Rede Globo), onde explicava assuntos espinhosos da filosofia numa conversa simples e cotidiana. Ela se transfere com domínio para o outro. Realiza um translado lírico de vivência. Um empréstimo de casa, corpo e lugar. Sua ambição é estar fora de si. Nos últimos dois anos, publicou: a bela antologia Receita pra lavar palavra suja (Arte Clara, 91 pp.) e o lançamento Desato (Record, 96 pp., R$ 24,90), a registrar suas performances poéticas em eventos como CEP 20.000 do Rio de Janeiro.
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