Retrato cruel da humanidade
Escrita em plena Segunda Guerra Mundial e publicada em 1945 depois de ter sido rejeitada por várias editoras, A revolução dos bichos – Um conto de fadas (Companhia das Letras, 152 pp., R$ 22, trad. Heitor Aquino Ferreira), de George Orwell, causou desconforto ao satirizar ferozmente a ditadura stalinista numa época em que os soviéticos ainda eram aliados do Ocidente na luta contra o eixo nazifascista.
De fato, são claras as referências: o despótico Napoleão seria Stálin, o banido Bola-de-Neve seria Trotsky, e os eventos políticos – expurgos, instituição de um estado policial, deturpação tendenciosa da História – mimetizam os que estavam em curso na União Soviética. A revolução dos bichos combina duas ricas tradições literárias: a das fábulas morais e a da sátira política.
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