Ziguezague da memória de exílio
Sim, eu sei que é um clichê escrever ‘esse livro é um companheiro de viagem, leve-o para um café, um bar, um restaurante, um banco de praça, um banco de ônibus, a fila do banco…’, mas não adianta: apesar do lugar-comum, Enrique Vila-Matas seguirá para esses lugares, braço dado com você – afinal, como uma agradável, perigosa e inteligente conversa foi concebido Paris não tem fim (Cosac Naify, 242 pp., R$ 45 – Trad. de Joca Reiners Terron). Daquelas conversas que se tem com os melhores amigos. O escritor barcelonês nascido em 1948 e autor de 17 volumes de ficção é o típico ‘escritor inteligente’ (parece um paradoxo?) justamente porque detesta ficar o tempo todo aparentando ser incrível (sabe aqueles caras que posam nas orelhas dos livros com ar superior, segurando o queixo, em frente a uma biblioteca?).
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