200 anos propiciam edições de qualidade
Há historiadores que vêem com péssimos olhos as grandes celebrações históricas, do gênero desta em comemoração aos dois séculos da transmigração da corte de dom João 6º para o Brasil. Tais descontentes alegam que o tema é abordado em demasia, obscurecendo outras discussões importantes, que os estudos em geral primam pelo imediatismo e pela superficialidade e que os oportunistas são os que mais lucram. Por certo que há isso e muito mais, o que, no entanto, não invalida o fato de que essas datas também permitem amplas discussões sobre o acontecimento comemorado e criam a possibilidade de o público conhecer trabalhos de qualidade. É esse o caso de dois livros relacionados ao período joanino que acabam de vir a público: Napoleão Bonaparte: imaginário e política em Portugal (1808-1810) (Alameda, 364 pp. R$ 48), da pesquisadora carioca Lúcia Maria Bastos Pereira das Neves, e D. João VI – Um príncipe entre dois mundos (Companhia das Letras, 508 pp., R$ 57,50), dos estudiosos portugueses Jorge Pedreira e Fernando Dores Costa.
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