O que me importa é a superfície
Em seus dois romances mais recentes, o escritor e cineasta belga Jean-Philippe Toussaint faz do Oriente um espaço de dissolução e rearranjo dos laços afetivos. Depois da Tóquio feérica de Fazer amor (Globo, tradução de Ana Ban), é a China que serve como cenário de Fugir (Bertrand, tradução de Joaquim Pinto da Silva), que acaba de ser lançado por aqui. Nos dois livros, o percurso dos personagens pela terra estrangeira espelha um estranhamento íntimo, dirigido em primeiro lugar a eles mesmos. Mas os dilemas existenciais, em Toussaint, não se exprimem por meio de investigações psicológicas ou fluxos de consciência, e sim numa espécie de errância permanente da narrativa e do olhar, que parecem buscar do lado de fora o sentido dos seus movimentos. Em entrevista ao Globo, Toussaint diz que se interessa sobretudo pelo exterior e pela “superfície visível” do mundo.
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