Alencar, o escravista
“A escravidão caduca, mas ainda não morreu; ainda se prendem a ela graves interesses de um povo. É quanto basta para merecer o respeito.” Quem vinha a público, em 1867, desejoso de ser ouvido na defesa do cativeiro no país era o romancista José de Alencar (1829-1877). A memória histórica no Brasil, no entanto, silenciaria seus argumentos no século seguinte. A frase aparece numa das sete cartas públicas em que, naquele ano, o autor de Iracema criticou o imperador d. Pedro 2º por propor que o país começasse a pôr fim gradual à escravidão. Só agora, 140 anos depois, elas ganham uma edição em livro, Cartas a favor da escravidão (Hedra, 160 pp., R$ 18), organização de Tâmis Parron, que chega nesta semana às livrarias. Embora diversos pesquisadores tivessem conhecimento de sua existência – que era citada em alguns trabalhos – e das posições políticas de Alencar, o conteúdo das cartas não chegou a ser reimpresso. No final dos anos 90, a historiadora Silvia Cristina Martins de Souza encontrou as cartas na Biblioteca Nacional, no Rio.
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