E o Nobel vai para Le Clézio
O tom político voltou a nortear o prêmio Nobel de literatura deste ano, anunciado nesta quinta-feira na Suécia – se não veio com a pesada carga que marcou a eleição do turco Orhan Pamuk em 2006, a escolha do francês Jean-Marie Gustave Le Clézio, de 68 anos, não escondeu um viés anti-segregacionista da Academia Sueca, que justificou a decisão por ser Le Clézio um “escritor da ruptura, da aventura poética e do êxtase sensual, explorador de um humanismo que está além da sociedade dominante”. Ele estava em Paris, quando foi comunicado da vitória. O telefonema, aliás, dos membros da Academia Sueca foi atendido por sua mulher, pois Le Clézio estava lendo e escrevendo. De fato, os personagens de Le Clézio vivem em meio a preconceitos e intolerâncias, buscando espaço em mundo em que a globalização não é usufruída por todos. Tal opção faz jus à sua própria história – descendente de uma família da Bretanha que emigrou para a Ilha Maurício, no Oceano Índico, no século 19, Le Clézio nasceu em Nice, na França, em abril de 1940, mas viveu em diversos lugares, sempre atrás dos pais.
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