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O texto como forma de liberdade

31 de janeiro de 2009
2 min de leitura
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‘Estas cartas representam um dos mais altos documentos de autenticidade humana e de beleza literária que jamais se escreveram no Brasil”. Com tais palavras, há três décadas, o crítico literário e pensador católico Alceu Amoroso Lima (Tristão de Athayde) saudava a primeira edição em português das correspondências escritas na prisão entre 1969 e 1973 pelo jovem dominicano Carlos Alberto Libânio Christo (Frei Betto), detido por apoiar a luta armada contra a ditadura implantada no país. Agora, o público volta a ter acesso à obra, que pertence à linhagem de Memórias do cárcere, de Graciliano Ramos. O livro percorreu sinuosa trajetória, digna de textos proibidos e malditos: cartas e bilhetes fragmentados, sem intenção de publicar-se, saíam escondidos dos presídios onde eram redigidos para os destinatários (muitos dos quais só têm nomes revelados na atual edição, que traz notas explicativas). Entre os momentos marcantes de Cartas da prisão (Agir, 264 pp., R$ 39,90), de Frei Betto, está a narrativa cotidiana da inédita greve de fome de 39 dias vivida pelo autor e mais 35 presos políticos em 1972.

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