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Personagens que mostram a saga da vida comum

01 de fevereiro de 2009
2 min de leitura

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Dotado da imaginação visual de um estudante de artes, do olhar sociológico de um jornalista e do talento de um poeta para as metáforas, John Updike – morto na última terça-feira, aos 76 anos – foi possivelmente o grande homem das letras americanas, como um todo. Ele transitava com fluência da ficção à crítica, dos versos amenos às histórias curtas, indo até a maior extensão do formato do romance: um atleta do decatlo literário na nossa era de distração eletrônica e especialização convicta, vitoriano no seu zelo trabalhador e quase semelhante a um blogueiro na sua determinação de transformar em palavras cada rascunho de conhecimento e vivência. Entretanto, é como o romancista que abriu uma janela para – e lançou uma lente de aumento sobre – a classe média americana na segunda metade do século 20 que ele será mais lembrado. Nas obras de maior impacto, Updike deu “ao mundano a beleza merecida”, nas suas próprias palavras, comemorando os mistérios cotidianos do amor, da fé e da domesticidade com extraordinária precisão e contraste.

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