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Precisamos de leitura com qualidade

03 de março de 2009
3 min de leitura
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Na sexta-feira, dia 27, o escritor Menalton Braff, vencedor do Prêmio Jabuti, abriu o projeto Bate-papo com o Autor – uma série de encontros mensais com os sócios dos clubes de leitura Palavra Mágica e aberta ao público em geral. No encontro, Braff contou detalhes do seu processo de criação, seus autores preferidos e comentou sobre a qualidade da literatura no Brasil e a importância da leitura na vida das pessoas. “Precisamos incentivar cada vez mais a leitura, como faz a Fundação Palavra Mágica. Mas também temos que ficar atentos à qualidade das obras”, ressaltou o autor, que ficou conhecido nacionalmente, em 2000, ao vencer o maior prêmio da literatura brasileira, com a obra À sombra do cipreste, eleitaoMelhor Livro de Ficção do Ano.

Menalton se disse um escritor à moda antiga. “Escrevo sem nenhuma pressa, por absoluto prazer.” Perguntado sobre dificuldades no processo de criação, ele afirmou que o primeiro parágrafo de cada obra é o mais árduo de ser elaborado. “Às vezes, acordo às três da madrugada com uma ideia, e corro para anotá-la, ou posso perder a melhor frase que poderia encontrar.” Indagado se já havia sido surpreendido por algum leitor ou jornalista, sobre detalhes de sua criação que ele mesmo não tivesse percebido, Braff citou uma entrevista com o jornalista Pedro Bial, da Rede Globo. “Ele sabia, por exemplo, em que dia eu havia escrito determinado trecho de um dos contos. Observei no livro À sombra do cipreste, em sua mão, e lá estavam várias anotações sobre as histórias e os personagens”, lembrou. “Fiquei sabendo depois que o Bial havia recebido o livro apenas um dia antes da entrevista e o teria lido, sem parar, até a última página, reconhecendo detalhes que só eu sabia.” Sobre seus autores preferidos, Menalton não hesitou ao destacar “Machado de Assis. Ele é o nosso grande inventor”. Citou ainda Guimarães Rosa e Clarice Lispector, como criadores admiráveis. Mas, em contraponto com a atualidade, Braff comentou que perdemos muito em qualidade. “Hoje o mercado, quase sempre, determina o que vai para as livrarias.”

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