Desterro cultural de artistas que adotaram Paris
As hordas de turistas que hoje ocupam as calçadas da capital francesa estão sempre em busca de algo que, se Paris um dia teve, já faz tempo que perdeu nas brumas da globalização. O que a cidade viu crescer e se reproduzir nos últimos séculos foi toda uma mitologia da liberdade, nascida sob o vendaval da Revolução Francesa e hoje convertida ao “prêt-à-porter” das artes, das modas e do que mais for preciso para se sentir “único”. Um dos momentos mais marcantes da fase madura desse mito aconteceu ao longo dos anos 20, quando Paris exalava um perfume de libertinagem, tanto comportamental como artística. É a essa encantadora forma de desterro que o escritor francês Jean-Paul Caracalla se dedica a detalhar o comportamento em Os exilados de Montparnasse (Record, 294 pp., R$ 40 – Trad.: Véra Lucia dos Reis).
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