O deserto além das palavras
Todo escritor atravessa um deserto. Para cada escritor, o deserto está em um lugar. Fernando Pessoa tinha o deserto nas ladeiras de Lisboa, que se desenrolavam sob seus pés, como um tapete vazio. É aqui, nesse cenário vazio, que leio No teu deserto (Companhia das Letras, 128 pp., R$ 30), de Miguel Sousa Tavare. O livro narra uma travessia do Saara. Não tanto uma travessia, mas os preparativos, a aproximação lenta e difícil, os antecedentes. Vinte anos depois, o herói de Tavares rememora a experiência que viveu no Saara. Partiu de Lisboa, num comboio de 16 jipes e quatro motocicletas, atravessou o Alentejo e a Andaluzia, chegou a Algeciras, onde o grupo se dispersa. É fotógrafo e cinegrafista, precisa passar antes por Argel para apanhar uma autorização para as filmagens. Domingo, dia 20, Tavares participa da Bienal do Rio, no Café Literário, às 18h30, na mesa “A geografia dos afetos”, com Marina Colasanti.
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