O deserto sem oásis de Paul Bowles
Em 1947, o americano Paul Bowles descobriu-se cansado. Apesar de festejado como compositor de óperas, balés e músicas para peças teatrais e filmes, ele percebeu, naquele ano, que Nova York o aborrecia. Em Tânger, no Marrocos, Bowles (1910-1999) iniciou uma nova carreira, pois “escrever livros era algo muito mais fácil do que compor músicas, com a vantagem de que não se fica preso a um lugar”. Na verdade, a disposição surgiu ao acompanhar a dificuldade enfrentada pela mulher, Jane Auer. Ela era uma figura atípica: com traços físicos semelhantes aos de um rapaz, Jane mantinha-se tensa, escrevendo em fragmentos sempre impressionantes. O casal manteve um relacionamento heterodoxo, marcado pela bissexualidade assumida por ambos, que resultou em separações e relações extraconjugais. Mesmo assim, a presença de Jane revelou-se indispensável na vida artística de Bowles. Como ocorreu na escrita de The Sheltering Sky, O céu que nos protege (Alfaguara, 272 pp., R$ 43,90 – Trad.: José Rubens Siqueira), seu primeiro livro, publicado em outubro de 1949 e que ganha agora nova versão em português.
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