Além da cor da pele
Em seu novo romance, Toni Morrison volta a abordar a condição dos negros nos EUA
Negra e ganhadora do Prêmio Nobel de 1993, de uma Jefferson Lecture bem como de um Pulitzer, Toni Morrison – que já foi professora em Princeton e em Yale e se destacou como editora em Nova York – continua a se aventurar nos domínios da literatura, e a explorar a temática da escravidão e da condição dos negros nos Estados Unidos. Escrevendo Compaixão (Companhia das Letras, 160 pp., R$ 36,50 – Trad.: José Rubens Siqueira) no ano em que Barack Obama ganhou as eleições, um ano que anunciou uma revisão da condição dos negros no mundo, Morrison recua até 1690 para examinar a época em que a escravidão não se vinculava apenas à cor da pele, mas significava um tipo de mão de obra sobre a qual o desenvolvimento do novo mundo se amparou. Para ilustrar sua tese, a servidão está presente, de alguma maneira, em todos os personagens do livro. Morrison também desvincula a escravidão da cor da pele, ou melhor, revela algo que a sociedade americana parece ignorar: grande parte da sua população é descendente de “escravos” brancos, que eram vendidos e trocados, explorados legal e ilegalmente.
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